Bolero
O bolero, a princípio, era executado com acompanhamento de castanholas, violão e pandeiro, tal qual o fandango, enquanto o casal dançava sem se tocar, com sensuais movimentos de aproximação e afastamento.
Trazido pelos espanhóis para suas colônias na América, ele foi se modificando pelas influências locais e recebendo contribuições, em especial, de ritmos vindos da África. Sempre foi mantido, no entanto, seu caráter de dança de galanteio, suave, terna e romântica. Desenvolveu-se, principalmente, em Cuba e outros países da América Central.
Curiosamente, só no Brasil - em particular, no Rio de Janeiro - ele é dançado da forma que o conhecemos nos dias de hoje, com figurações muito diversificadas.
Na maioria dos países
latino-americanos, dança-se o bolero de forma simples e lenta, sem
muitas variações. É aquele bolero dançado "dois pra lá, dois pra
cá...", como na letra da famosa música de João Bosco. Se perguntarmos a
um cubano, a um costarriquenho ou a um argentino, por exemplo, a
resposta será sempre a mesma, isto é, explicam que dançam o bolero
dessa maneira porque ele serve para namorar, ele visa o romance. E era
assim também, aqui no Brasil, até pouco tempo atrás.
Nos bailes cariocas atuais, os dançarinos fazem grande número de
figuras ao dançar o bolero, muitas delas adaptadas de outros ritmos e
costumam dançar do mesmo jeito, ou seja, com figuras de bolero, não só
os boleros propriamente ditos, mas também outros ritmos suaves e
românticos. Generaliza-se: se é ritmo lento, dança-se como se fosse um
bolero. É uma característica bem brasileira, esta de buscar fazer uma
simbiose e simplificar. É uma faceta da criatividade dos nossos
dançarinos e professores de dança de salão (ou seria uma faceta da sua
falta de informações sobre como dançar os diferentes ritmos lentos?).
Jussara Vieira Gomes
Historiadora e Antropóloga
Dançarina e Pesquisadora de Dança de Salão
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